Foto: Divulgação
Em praça pública, de forma democrática, os livros ganham vida nas mãos de jovens em um bairro de Cachoeira Paulista. Aos sábados, com o cair da tarde, os moradores do Embaú, a nove quilômetros da região central da cidade, um a um vão chegando para ouvir as histórias do dia. São palavras de Drummond, Ziraldo e Ruth Guimarães que prendem a atenção daquele público de pouco mais de vinte pessoas, sentadas em circulo na Praça Luiz Carlos Fleming. Quando o convidado da semana chega para falar do universo da literatura, o momento é de silêncio.
A ideia de levar os livros ao local público nasceu de uma fotógrafa. O bairro clamava por entretenimento. Pensando em trazer cultura ao local onde mora, Camila Rodrigues, de 24 anos, resolveu lançar o desafio à população. Juntou algumas pessoas e começou a promover os encontros.
A jovem queria construir um projeto que fomentasse a cultura no bairro, ao mesmo tempo em que pudesse desenvolver a capacidade intelectual dos moradores. “Meu desejo era intenso em relação aos livros, de fazê-los se apresentarem ao desconhecido, criando na população um hábito de leitura e incentivá-los a ouvir contos”, ressaltou.
As discussões não se resumem apenas aos grandes autores da literatura. Temas relevantes da atualidade, arte e as histórias sobre a região são colocados em pauta. A estudante Thainara Rodrigues, de 16 anos tem participado desde o início das rodas de leitura e observa a iniciativa como muito produtiva. Ela acredita que as histórias vêm desenvolvendo um maior interesse de leitura pelos seus colegas. “O projeto vem fazendo com que nossos sábados tenham algo a mais a nos oferecer”.
Os encontros atraíram até o olhar dos mais experientes. Para promover um intercâmbio entre as gerações, a ideia teve que se estender para acolher os mais velhos. Além da literatura, uma roda de viola contempla quem participa aos sábados. São moradores do próprio bairro que tocam seus instrumentos e cantam canções populares.
Sem a ajuda do poder público, o projeto é divulgado por cartazes espalhados pelo bairro e também pelas redes sociais. A idealizadora não lança mão da literatura para expressar os frutos do projeto. “A cada encontro descobrimos o quão maior é o poder de um livro, o quanto um escritor é capaz de se achegar na alma do leitor sem mesmo nunca tê-lo visto com seus olhos”, contou.
Os moradores querem alçar vôos mais altos. O objetivo maior é criar uma Casa de Leitura no bairro, onde eles possam ter acesso a exemplares e um ambiente aconchegante para leitura. Camila considera que o primeiro passo foi dado para a melhoria na qualidade de vida dos moradores do bairro e para a concretização desse sonho. “Acredito que a semente está plantada, e temos muito à colher durante este processo de busca e aperfeiçoamento: levar o Embaú a ser adepto de uma boa leitura e viajar pelo universo literário”.
Allan Torquato/Jornal Atos

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